Galácticos On tour 2004
Primeira Etapa – Faro, 10-11 de Janeiro de 2004
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pesar de estarmos com uma branca, daquelas como os escritores têm, vamos dar início à nossa rubrica que daqui até ao final de Maio os vai colar ao ecrã.
Visto estarmos ausentes da equipa por motivos profissionais, que em seguida vos explicaremos, por sugestão do Machine iniciamos hoje uma espécie de diário das nossas incursões pelo país. Neste espaço vamos contar-vos peripécias dessas mesmas incursões e pôr-vos a par do nosso trabalho.
Basicamente estamos a participar na Euro-Taça Coca-Cola 2004, mas com funções distintas. Enquanto Pirs por via de ter tirado um curso de árbitro de futebol de 11 tem funções de árbitro, Tiago tem por função dar assistências nas actividades que circundam a área onde se desenrolam os jogos. Actividades essas que consistem em insufláveis nos quais se podem praticar jogos para que quem se desloque se possa divertir durante o dia e ganhar coca-colas. Alem disso (e esta é a parte difícil de vocês acreditarem, porque também trabalhamos) ambos ajudamos a montar e desmontar este espaço que se chama Futebol Parque.
Vamos agora contar-vos o que se passou em cada etapa até à presente data.
Lisboa, 09 Janeiro de 2004
19:20
Piri – “A Natacha dá-me boleia, vamos passar primeiro por Benfica para
apanhar o Tiago e então dirigirmo-nos até à Praça de Espanha, local onde
habitualmente a Team Coca-Cola se concentra às sextas-feiras antes da partida
para os diversos destinos.”
20:00
Tiago – “Depois de apresentados a quase totalidade da Team Coca-Cola, à
excepção dos condutores e dos bosses, e já fartos de esperar, eis que
subitamente e por incrível que pareça não partindo de mim ou de Pirs, surgiu a
ideia de amenizar a espera na companhia de umas belas jolas. Caminhando na
direcção do destino sugerido eu e o Pirs começamos a reconhecer a estrada que
alguns anos antes tínhamos percorrido, apesar de então no sentido oposto, sob
intensa chuva e igualmente intensa tala após destruição parcial de um WC num
jantar de aniversário do terceiro Galáctico, Johny."
Local, Avenida de Berna, Restaurante Cervejaria… ‘O Paço’.
Ainda que com algum receio de sermos reconhecidos pelos empregados, a vontade de beber umas jolas falou mais forte e começaram-se a fazer as primeiras amizades com os novos colegas.
20:45
Após termos abandonado ‘O Paço’ (sem sermos reconhecidos) regressámos ao ponto
de encontro onde já aguardava parte da restante comitiva e fomos então
apresentados a um dos bosses, Ricardo e mais alguns colegas. Aqui e já prontas
para arrancar estavam duas pequenas e rudes naves (que à vista do comum mortal
se tratam de Mercedes Vito) onde iríamos ser transportados para Faro. Mas, no
ar, pairava já algo que não sabíamos ainda explicar, tínhamos a perfeita noção
que estávamos prestes a ver qualquer coisa que nunca antes havíamos visto. Algo
de sobrenatural, transcendente, grandioso, sublime e que, com o encanto das suas
turbinas e sua postura única nos deixaria desde o primeiro momento apaixonados e
a desejar fazer parte da sua tripulação.... A NAVE (a terceira Mercedes Vito),
conduzida pelo comandante e presidente do Núcleo Duro, Mário.
21:00
Após as apresentações que restavam, fomos separados pelas diversas naves para
iniciar a viagem. Nós obviamente fomos colocados numa das reles naves
secundárias (claramente ainda não conheciam o nosso potencial) conduzida pelo
João, irmão de Ricardo, seu co-piloto.
(estamos a pensar ir comprar pizza, são 17:49h e escrever dá fome…)
A viagem …..
No banco de trás estávamos os dois e as nossas malas, à nossa frente, no banco
do meio estava o Matrecos, André e o Deni. Na frente, piloto e co-piloto
dirigiam a navezita e um silêncio soturno era apenas interrompido pelo virar das
páginas do jornal que o Matrecos lia ou por animadas discussões do piloto e
co-piloto sobre a condução do João que não nos deixavam ouvir o relato do
Sporting – Guimarães.
Sobre esta “animada” viagem não há muito mais a dizer a não ser que chegámos sãos e salvos.
(já comprámos as pizzas)
23:00 A
chegada….
Após a aterragem das naves e a distribuição dos equipamentos da Coca-Cola que
usaríamos nas etapas dirigimo-nos para a nossa pensão onde fomos recebidos por
uma sinistra figura que viria a ter importante papel na história que vos
contamos, Undertaker de seu nome, mas mais tarde lá iremos…
Chegados à
recepção e depois de termos a chave do nosso quarto duplo nós os dois e o
Machado ocupámos o nosso retiro. Deparámos com “três camas”, ou melhor duas
camas e uma mesa-de-cabeceira com uma almofada e dois cobertores. Rapidamente,
Tiago e Machado ocuparam as camas e por exclusão de partes, Pirs teve a tarefa
hercúlea de fazer da mesinha o seu leito. Para terem uma ideia desta caminha,
digamos que eles tiraram a mesa-de-cabeceira, colocaram o telefone no chão e
ocuparam o espaço com uma caminha de rede que Pirs ocupava e transbordava.
23:52 A
noite...
De seguida descemos e enquanto aguardávamos à porta da pensão pelo pessoal para
irmos beber um copito, alguns de nós (nós os dois podíamos ou não estar
incluídos neste grupo) centravam a sua atenção numa janela no primeiro andar,
onde num quarto com raparigas se viam algumas sombras insinuosas ansiando-se por
algo mais que não se viria a verificar.
No decorrer da história anteriormente contada fomos interpelados pelo nosso anfitrião, Undertaker, o qual nos pediu (bem ao seu estilo e com o seu grande jogo de língua, imaginem uma figura de 1,90, 70 kgs, enxuto e com uma postura hirta com um fraque estilo anos 80, leia-se 1880, pálido com um sorriso manhoso na cara que, em certos angúlos nos faz lembrar o nosso Machine e que, depois de cada frase solta a sua impetuosa língua e passa-a pelos beiços, felizmente… os seus) o favor de lhe comprarmos um maço de Português Suave. Interrompemos, ou não, o show do 1º andar e lá fomos, tendo o Tiago entrado num bar soturno e conseguido sair com o já referido maço sem uma facada nos rins.
Já todos reunidos fomos até a um bar onde decorria a festa da mangueira para a qual nós bem contribuímos pois levávamos vinte e tal mangueiras e nenhuma boca de incêndio…. Aí começou a verdadeira confraternização e a Irmandade da Coca-Cola, discutimos interesses comuns, Sagres ou Super Bock, Sporting ou Benfica e é melhor ficarmos por aqui porque este é um site familiar.
Esta parece-nos uma boa altura para apresentar o pessoal, nos quartos tinham ficado, a Joana, a Eva, a Bia, a Carla (decisão sensata) e o Neto. No bar confraternizavam numa mesa o Rasta, o Machado e o Bernardo, ao pé do balcão, o Ricardo, Gonçalo, também seu irmão, João, Matrecos, Deni, André e o Mário. Também de pé mas noutro circulo nós, o Alex nosso keeper na final dos jogos de Benfica, o Vieira e o Pedro. Mais tarde juntaram-se a nós a Marta, a nossa boss e o seu esposo, Pedro.
O sono começou a chegar a alguns e a certa altura no bar restávamos nós, só para podermos estar aqui a contar esta história como é óbvio, o Alex, o Vieira e o Machado. Se o sono chegou a alguns, a fome atingiu-nos a todos e fomos em busca de mantimentos, as ruas começavam a ficar desertas, o nosso companheiro Vieira lembrou-se então que em Faro existe o famoso Mac’tostas como de certo todos vós já ouviram falar… Saímos do bar percorrendo as ruas de Faro em busca desse “famoso” albergue para saciar a nossa fome. Após cerca de uma hora procurando e começando a pôr em causa a existência do Mac’tostas decidimos regressar à nossa estalagem para perguntar ao sempre prestável e bífido hospedeiro o caminho… Enquanto à porta Tiago, Pirs e Machado quase levavam Vieira a um estado de loucura ao duvidarem da existência do Mac’tostas, Alex enfrentava o salivoso Undertaker tentando perceber se este sabia ou não onde ficava o dito sítio.
Nisto já Pirs quase chorava de tanto rir e cada pessoa que passava dizia conhecer o Mac mas as indicações somente nos levavam à próxima pessoa a quem perguntávamos, entre as quais um indivíduo nada ariano que no seu estilo hip hop nos indicou o suposto caminho e se despediu com um amável, “TránCuilllo!”. Alex desistiu e conseguiu arrancar ao línguas o caminho para uma padaria, neste caminho acontece mais um dos episódios bem ao estilo de Pirs, após tanto rir e sem nada no estômago exceptuando umas quantas bocks Pirs sofreu uma mutação transformando-se num ser mais tarde denominado por “ Cobra Cuspideira”, pois a cada dois passos Pirs largava uma bisca (cuspidela para o chão) isto durante cerca de dois quilómetros até à padaria onde saciámos a nossa fome nuns belos pães com chouriço.
Depois disto voltámos ao nosso retiro onde descansaríamos por duas horas até ao raiar da manhã seguinte onde o trabalho começaria.
Faro, 10 de Janeiro de 2004
06:30 A
Alvorada...
Piri - “ Estava muito bem a dormir quando debaixo de mim um som agudo e cada
vez mais aterrador me arrancou do meu sono e provocou uma onda de sensações
estranhas desde suores frios, náuseas, enjoo matinal (das manhãs de ressaca)
entre outras. Era o telefone a reclamar pela sua cama…”
O telefone tirou-nos da caminha, muito a custo vestimos as fardas da Coca-Cola e descemos para o pequeno-almoço. Aí encontrámos as duas peças que faltavam ao puzzle, e que grandes peças, o pessoal dos Transportes António Leitão e Filhos mais o Fred. Gonçalo, uma bisarma com 1,95m e 106 kgs e uncle John, não menos bisarma no alto dos seus 136 kgs, que figuras…
07:30 às
17:30 O primeiro dia de trabalho...
Chegámos ao estádio Algarve e descarregámos o material, montámos o que havia a
montar e com o inicio das actividades o dia foi passando de forma natural, de
salientar apenas que Tiago passou o dia no Futebol Parque enquanto Pirs teve a
sua estreia no mundo da arbitragem tendo como primeira decisão como árbitro, e
ainda por cima, auxiliar, assinalar uma grande penalidade
Pirs - “ a primeira coisa que pensei após assinalar o penálty foi, Chiça (não pude pôr fodasse porque parecia mal mas foi o que pensei) marquei penálty.”
No fim do dia uma cervejinha enquanto a Marta e o Ricardo se dedicavam a uma dissertação acerca da actuação do pessoal no primeiro dia que alegrou as hostes.
21:00 O
Jantar...
Após tomar banho, recuperar forças e ver o Benfica a perder contra o Sporting em
Futsal rumámos ao restaurante…
Falta ainda dizer que enquanto esperávamos na recepção a moça da recepção nos indicou um bar da região, o famigerado Ovelha Negra, uma versão Blue Oyster´s de Faro…
Apesar do cansaço o ânimo era geral.
Ao dizermos boa noite ao nosso empregado de mesa pedimos a primeira garrafa de Vinho Tinto, ou por outra, as primeiras pois ao não conseguirmos escolher entre Navegante e Monte Velho optámos por mandar vir uma de cada para começar. O jantar foi decorrendo amistosamente e os primeiros brindes foram surgindo, garrafa vai, garrafa vem. Monsaraz e Porta da Ravessa marcaram presença embora algo discreta. Destaque para um brinde constantemente dirigido ao Núcleo Duro, denominação do grupo de árbitros da Coca-Cola dos quais fazem parte o presidente Mário, Pirs, Alex, Remédios, Vieira e Fred.
Quando chegou a sobremesa mais uma vez tivemos uma dúvida, Navegante ou Monte Velho… Primeiro optámos por Navegante e depois, já de pé e ao cimo das escadas escolhemos Monte Velho. Fim do jantar, chegaram cafés e… mais vinhaça. Quando a conta veio, no papel mágico perfilavam-se 14 garrafas de Tintol…
24:00 O
Regresso à Pensão...
O regresso à pensão foi rápido, o restaurante não era longe. Chegados à pensão
dirigimo-nos ao quarto do Alex, Neto, Pedro e Vieira para disputarmos uma
animada partida de Sobe e Desce.
Entretanto Vieira e Gonçalo chegavam bem contentes após terem ido conhecer o Ovelha Negra. Vinham diferentes…
Alex já ressonava no topo do beliche, enquanto na mesa de jogo, os nossos Galácticos mais o Fred e o Vieira disputavam uma cartada. Durante uma partida de sueca Pirs fez mais uma das suas peculiares birras por dizer que se enganara a contar por faltar uma carta no baralho e não queria que mudassem de mão numa situação que qualificámos digna da escolinha dos tempos do 7º C
Piri - “ a carta estava no chão…”
Tiago - “Estou farto das tuas desculpas…”
Piri - “ é mentira?”
Tiago - “Não deixam de ser desculpas”
O jogo foi abaixo e arrumámos as cartas após o Tiago recordar célebres jogos da moeda e outras situações…
Fomos dormir….
Faro,
11 de Janeiro de 2004
Amanhecer e
dia de trabalho
Após mais um dia semelhante ao de sábado apenas com destaque para a estreia de
Piri como árbitro principal e logo num jogo feminino. Foi mesmo assediado por
uma espectadora conhecida como a amiga da Citroên, uma rapariga que usava uma
camisola com o símbolo da Citroên mas que devido ao seu porte, o símbolo se
transformava em duas linhas paralelas.
Arrumar as tretas já de noite e estávamos prontos para deixar Faro rumo a Lisboa.
20:00 O
Jantar...
A caminho de Lisboa jantámos num restaurante algures à saída de Faro, jantar
este civilizado e com o Benfica - Leiria em pano de fundo. Este jantar também
não teve nada de especial, apenas recordámos os melhores momentos do
fim-de-semana de forma alegre e bem disposta.
Regressámos às naves para a nossa última viagem até Lisboa. Foi então que por um acaso do destino conseguimos o tão desejado lugar na NAVE!!!!!
Aqui sim tivemos uma viagem atribulada mas triunfante, conduzida por Mário, levando ao lado sua namorada Joana e sua amiga de longa data Eva. No meio Pirs e Tiago juntamente com Vieira no seu cantinho e no banco de trás Machado e Neto. Foi durante esta viagem e no decorrer de uma animada conversa sobre cinema que Tiago puxou dos seus galões sendo ali baptizado por Vieira (o mesmo autor de Cobra Cuspideira, Spitting Snake) de Spielberg.
23:30 A
Chegada a Lisboa...
Após o regresso à Praça de Espanha, e enquanto pensávamos numa forma de
regressar a casa, eis que vimos aparecer no horizonte um autocarro n.º 46. Sem
nos despedirmos arrancamos em sua perseguição, carregados com malas e casacos,
atravessando a Praça de Espanha num ritmo alucinante. Escusado será dizer que
não o apanhámos…
Cabisbaixos seguimos a marcha a pé até que mais à frente resolvemos apanhar um táxi.
Foi assim que terminou a nossa primeira etapa Euro-Taça Coca-Cola 2004.
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